O principal motivo pelo qual as Fake News se espalha nas mídias sociais

Créditos: Depositphotos

Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia, publicou no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences recentemente, um estudo que revela a principal razão pela qual desinformações e fake news se espalham rapidamente na internet.

O estudo praticamente derruba o equívoco de que a desinformação se espalha por causa exclusivamente dos usuários que não têm habilidades de raciocínio crítico para discernir entre informação verdadeira e falsa. Apenas 15% dos participantes da pesquisa foram responsáveis por disseminar cerca de 40% das informações falsas.

E o estudo foi quase diretamente na raiz do possível problema com a seguinte pergunta: o que motiva esses usuários a fazer isso?

É claro que o vieses e crenças pessoais tem um fator significante, mas não é o principal motivo. O estudo mostra que o principal motivo é a estrutura e as "recompensas" das mídias sociais junto com a questão habitual dos usuários. Informações tendenciosas e matérias sensacionalistas tem uma maior chance de propagar, do que uma informação verdadeira.

É aí que as recompensas e a estrutura entra. Os algoritmos das redes sociais hoje seguem um padrão bastante previsível, que é recomendar e sugerir oque está em "alta", o algoritmo sempre preza pelo engajamento. Podemos usar o Instagram como um exemplo, posts com designs bem feitos e com informações sensacionalistas obviamente terá um engajamento maior, isso por que o algoritmo do Instagram se baseia na quantidade de comentários, salvamentos de post, interações, compartilhamento e etc. Ou seja, a recompensa pra quem compartilha essas informações parecem ser maiores, logo os usuários acabam nem se dando ao luxo de questionar as informações, já que a recompensa do engajamento é quase certa.

Os usuários basicamente desenvolve hábitos em fazer esses compartilhamentos e consequentemente ganhando "reconhecimento" por causa do engajamento. Algo que não acontece quando o compartilhamento de informações verdadeiras são feitas.

Um exemplo notório é o estudo publicado recentemente na China sobre o núcleo da Terra. O estudo sugere que o núcleo da Terra está em uma velocidade menor em relação a superfície da Terra, e os portais de notícias escreveram o contrário, afirmando que o núcleo da Terra estava começando a girar ao contrário, oque é um grande equívoco. Isso certamente gerou muitos compartilhamentos até mesmo em páginas de divulgação científica.

Mas por fim, a equipe do estudo testou se as estruturas de recompensa de mídia social poderiam ser modificadas para promover o compartilhamento de informações verdadeiras em vez de falsas. Eles conseguiram mostrar que os incentivos para a precisão em vez da popularidade (como é atualmente nas mídias sociais) dobraram a quantidade de notícias precisas e verdadeiras que os usuários compartilham nas plataformas sociais.

Por fim o estudo conclui que, o compartilhamento habitual não é impossível de acabar, e que dá sim pra incentivar os usuários a criar hábitos de compartilhamento que os tornem mais abertos aos conteúdos verdadeiros.

O estudo também sugere que plataformas de mídia social podem dar um passo mais ativo no incentivo, em vez de querer moderar quais informações são postadas e também buscar mudanças estruturais na forma de recompensa para limitar a disseminação de desinformação.

Fonte: Phys.org
Artigo do estudo: https://dx.doi.org/10.1073/pnas.2216614120

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